January 3, 2008

Ostracismo

Estou dando um tempo nesse espaço. Não sei ao certo o que está por vir quanto às novas atuações na blogosfera, mas por enquanto estou fazendo um silêncio que é necessário. 2007 foi corrido e profícuo de mudanças. Tenho um mestrado pela frente neste novíssimo 2008, entre outros planos e vontades. Gosto de escrever quando tenho algumas certezas ou quando tenho dúvidas muito profundas. O meio termo me é estranho e em meses como janeiro e fevereiro tudo é meio termo, meio turno, meia boca, embora Porto Alegre fique tão convidativa. Se fosse mais ativa fisicamente, aproveitaria esse tempo e iria re-conhecer a cidade. Mas não sei se consigo o quanto quero. Já me programei tantas vezes… Então, me darei o que pode-se chamar de férias, tempo, intervalo, daqui. A monstra precisa. Continuo postando no Flickr e no Fotolog. Aguardem maiores notícias por aqui, talvez. No mais, minhas letras repousam por enquanto. Não me sinto uma escritora ao mesmo nível de, mas como escrevo, cito-a com uma certa propriedade teimosa.

“Escritor é escritor sempre, até quando não
escreve”. Clarice Lispector

October 27, 2007

Walk On The Wide Side

É a fase. Eu vivo uma relação de amor e ódio com a rotina. Ao passo que planejar os dias da semana e organizar as tarefas é uma atitude sensata, me dá uma certa satisfação quebrar com essas expectativas e algumas vezes mandar tudo às favas, numa espécie de transgressão íntima tal qual tranvessura de criança. Eu gosto de ver o plano, montar o esquema, mas efetivar a coisa é de uma tamanha chatice.

Antes, organizava a semana toda previamente, agora passei a imaginar dia a dia. Tô vendo que ficar pensando muito no que vou fazer é a maior furada. Pensar um dia de cada vez me dá uma sensação de controle maior, menos limitação por mim mesma. Salvo aulas marcadas e compromissos oficiosos que envolvem terceiros. Daí não tem jeito, tem que marcar antes e cumprir horários. Até parece que fazemos apostas com nós mesmos numa ânsia de realizar o que a priori vai nos tornar melhor. Ao menos, acho que buscar o melhor deva ser o intuito da maioria das pessoas. O que também parece que não é verdade, dado os descaminhos facilmente corruptores da listinha de deveres e quem simplesmente opta por não ter qualquer vínculo com um vir a ser.

Os caminhos são diversos e tortuosos. Dar o passo certo pressupõe saber onde vai pisar e saber onde se pisa em demasia tira a graça da coisa. A sensação de que se está na via certa pode até ser mais latente para quem estrutura, organiza, analisa e faz a melhor escolha, mas não é garantidor de que de fato isso vá ter sido a escolha certa a longo prazo. Quebra-se os planejamentos semanais sem dispensar a coerência de fazer, movimentar e levar adiante o que se pretende. É, no momento to apostando na magia do previsível com intentos imprevisíveis necessários.

October 26, 2007

Solta o freio de mão

Sexta-feira é o melhor dia da semana. Isso não é novidade, eu sei. Mas vale o comentário porque a maneira com que o dia me põe feliz é implacável. Fico toda serelepe, ansiosa, fora do ritmo normal. Meu corpo vibra em outra sintonia. Os passos, ora largos ora curtos, brincam com as linhas do chão como se quisessem dizer a todas as formigas que o dia é de alegria. Na sexta-feira eu não me importo se todos à minha volta estão com a cara fechada - o que em geral não acontece, pois justamente é sexta-feira -, assim como também não me interessa se farei algo especial. Um filme, um passeio ou uma leitura. Sexta-feira é a véspera bruta. As sextas-feiras são o puro extravazamento daquela ídéia de férias porvir, descompromisso com horário para começar e vontade de fazer o quê. Dá pra brincar com o tempo e deixar a preguiça se instalar a seguir, ou melhor, espantá-la com a projeção de que o dali a pouco não vai ser de definição formal e de modos de ter que agir.

A sexta-feira é só seguir, pois vira e é sábado. O dia em que geralmente folgo. Aêêê.

August 7, 2007

Set pra acordar boneca mendiga

Putza, ando numa fase musicoterapia daquelas. Porque simplesmente tem os sons que dizem o que tá engasgado mesmo e pronto. Os engasgos revoltantes da rotina acachapante e necessária. Sons que te transportam para um estadinho relâmpago de êxtase. Eu particularmente não ando a fim de dar explicações demais. Nem fazer muita razão de mim. Sei lá. Música solamente, seis pílulas. Sem se esmerar em pérolas aos porcos, por mais que isso soe com um ar de desprezo. Não é bemmm isso. É, como diria a amiga poeta, não ter vontade de gastar tempo com pessoas que embora possam ser maravilhosas em algum sentido, me causam preguiça.

1. Oh my God - Kaiser Chiefs
Som pra se sentir superpoderosa. A letra simplesmente diz a que veio de cara, fazendo com que o ouvinte se sinta meio deus. Tipo, ao invés de acordar meio indie um dia, se acorda meio deus. Tudo dá certo, não tem perrengue. Embora a pessoa não esteja mais em um lar quentinho e aconchegante 100% do tempo.

2. Rebel, Rebel - David Bowie
Essa é pra escutar depois de aplicar aquela mentirinha inocente, sem grandes proporções e incapaz de sacanear alguém, por puro deleite. Tri boa de fazer com irmãos mais novos, especialmente quando eles se julgam mais espertos por serem os bebês da casa. hsghsgsdghjhdhjsdgjs. Também vale pra quando der uma informação errada sem querer a turistas argentinos.

3. Psyco Killer - Talking Heads
Matadora. Coloque as luvinhas pretas de couro e a rua é seu destino. Imagine aquele beco escuro e um gato preto passando na sua frente antes de esfaquear, ops, antes de dar uma patada nas pessoas mal educadas e mau humoradas que reclamam das mesmas coisas todos os dias. Agências bancárias são ambientes ideais para o mp3 mandar ver
Quest que cest
Fa fa fa fa fa fa fa fa fa far better
Run run run run run run run away

4. I Turn My Camera On - Spoon
Eu tenho escutado com freqüência esse som indo pro trabalho. Dá uma sensação boa de vai começar a novela…

5. How Bizarre - OMC
Dia de sol na praia e um conversível. Eu não gosto de praia, detesto magalice, mas com essa música eu tenho vontade de ser extraordinariamente contraditória e encarar até um milho verde no sol. Eu fico muito, extremamente alegre ouvindo esse som totalmente infância, quando eu comecei a ir no Recre. u-hu

6. Fuck Forever - Babyshambles
Pra mandar tudo a merda e dizer qualquer futilidade em uma tarde completamente descompromissada para ficar ouvindo o Peter Doherty falar qualquer porcaria no YouTube, afinal ele é decadente, porém, elegante. Ahhhhh, eu ainda sou jovem!

July 19, 2007

Baby bye bye

Óh!

O casal de amigos mais fofo ever, Xanda e Egs, partem daqui há 13 dias para as terras do canguru. O bom é que eles vão visitar vários lugares bacanas, viver estórias diferentes e conhecer pessoas loucas. O xarope é a saudade que vai apertar.

Ok, a gente agüenta.

E, como a tecnologia também ajuda, vai ser possível acompanhar suas andanças no Austrália é o Canal. Certamente teremos um espetáculo em assuntos e diversões. Porém, duvido que encontrem alguma boneca mendiga por lá.

Du-vi-do!

July 13, 2007

A entressafra

Nós, meninas de seus 25 anos em média, passamos por uma época muito recorrente nestes tempos hipermodernos, como gostariam de chamar esses jornalistas pseudo-futuristas. Em primeiro lugar, é importante ressaltar o quanto os episódios de Sex and The City são ingênuos e infantis. Não passam de mulheres bem sucedidas com comportamento adolescente. Se você ver por outras fontes, como Desperate Housewives, não haverá muita surpresa. Ok, as mulheres são mais maduras e seus comportamentos mais concisos e espertinhos, mas elas têm FILHOS, AMANTES e EX-MARIDOS ou SUICÍDIO no currículo. Ou seja, nada insipirador.

Então vamos à entressafra:

Nessa fase, todas as cartas na manga somem. Aquele garouto que ficava no seu pé começa a namorar, e você nunca tinha dado bola para ele. Você sonha (sonho de dormir, fique bem claro) com o cara que a iniciou na vida sexual - ui- , lembra de seus últimos três namorados e pensa o quanto eles não eram tão ruins e o quanto é bom estar longe de alguns deles, afinal uma volta hoje remeteria a um modos operandi já conhecido e não agradável. Imagina todas as suas paixões platônicas por ordem alfabética. Lembra das ficadas ruins mas que de repente poderiam ter sido boas. Convenhamos, mordia, porém escreveu um poema SÓ para você.

Ou, pior, lembra e relembra nos ouvidos da sua melhor amiga o quanto o seu último gatíssimo era gostoso na cama, mas não cumpria com os atributos de alguém a fim de encarar uma vida adulta sem pensar na mamãe ou na antiga namorada que machucou seu coraçãozinho.

No cotidiano, você leva uma vida funcional bem resolvida: vai ao supermercado sozinha, paga suas contas, se alimenta bem, pratica exercícios, se maquia sem auxílio, recebe informações por si só, além, claro, de ter um intelecto bem formado (claro, depende da menina-mulher), come salada e se preocupa com os problemas da humanidade.

MAS
soa a frase: “e agora MARIA, você que está sem MARIDO?” (livre inspiração)

Agora é hora de ligar para todos os seus ex? É hora de limpar toda a sua vida, e seguir adiante? Fácil, né?
O grande amor da sua vida pode ser um ex ou a pessoa que você vai conhecer no supermercado amanhã.
Sem contar os louquinhos da balada.

This is the question!

* post com colaboração de Ju Welter.

July 4, 2007

Férias rápidas

Tem épocas que a vida da gente fica borbulhante, com muita coisa legal para fazer. O melhor, então, é se jogar (presa ao cinto de segurança) na onda do momento. Que venham novas aspirações.

Mas, no findi, estarei em pequenas férias em Canela, com meu povo do trampo numa curtição. Creio que teremos vinho e boas histórias. Quem sabe role uma poesia da neblina influenciada pelo clima europeu da região. Aquele abraço!

May 22, 2007

Quarta-feira macabra

Os dias vão passando e a quarta-feira macabra ainda ronda. Não que a minha vida ande assim tão paradona ou sem boas notícias, pelo contrário. Mas quando um dia vai mal, ele ainda pode piorar muito mesmo, sr. Murphy. Nessa última quarta fui borbardeada por notícias que beiraram o bizarro, para não ser dramática. E envolvendo pessoas muito próximas, foi de arregalar os olhos. Chego no trampo pelas 19h, dou uma olhada nos emails, consultos alguns sites e saio dar minha volta vespertina pela redação a fim de saber os bafões quando me deparo com o colega enciclopédico, um olho roxo e queixas de um corpo doído. Ele usou de explicações sociológicas para contar o que o acometera. Resumindo: assalto, seguido de violência física. Pô, agressão não dá. O caso do pequeno foi algo que me assustou de maneira certeira considerando que não é raro eu passar por criaturas tão jovens quanto a vítima e com o cérebro condenado ao loló. Pois é, estou falando dos sujeitos que atacaram o colega…

Segui editando textos de interesse ímpar para a sociedade gaúcha até que às 20h30 rolou o tradicional break dos editores e pensei que era hora de ligar para o papai e comentar algo que me angustiava por ora: o Grêmio perdia por 2 a 0 jogando muito mal e confirmando a atual teoria sobre a incapacidade de reação fora de casa. A atitude acabou me presenteando com mais um fato nefasto para completar a noite péssimas notícias. Um sobrinho-primo da família Quevedo havia matado com 23 facadas, distribuídas pelo rosto e coração, a ex-namorada. O crime aconteceu próximo à Pracinha da Lagoa, local onde a galerinha jovem se reúne no Texas nos finais de tarde. Fiquei bege.

Ainda recebi uma dica paternal: “isso que dá essas gurias namorarem marginais”.

Temi.

May 10, 2007

Paciência

Meu maior pedido evolutivo.

May 7, 2007

Conta gotas

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Hoje fui na cabine do Cão Sem Dono. Comentários rápidos: o Marcos Contreras encarna um motoboy com muita naturalidade. Não imaginava que aquele guri que encontro no Beco, quase sempre meio quietão, se revelasse. Na minha singela crítica, a montagem não ficou o bicho. A opção foi por uma fragmentação com fades em pedaços da vida do cara e da guria, que truncou um pouco o filme. Mas vale a pena ver, claro. Boas cenas em uma Porto Alegre constantemente nublada.

*
Tive um dia urbano demais. Andei de ônibus cinco vezes. Dois para ir e voltar do Bourbon Country, dois para ir até o jornal e retornar pra casa. E um para ir ao jornal de novo. E isso cansa e o dia corre. E, putz, ver tanta gente desvalida na rua está me incomodando pra caramba. Rolou um sentimento de impotência estranho. Tive uma enorme vontade de ir ajudar um mendigo, cheirado, bêbado, todo desgraçado, caído na minha quadra. Quando olhei, o carrinho de supermercado do homem estava tombando em cima dele enquanto tentava se levantar cambaleante. Parei um minuto antes de entrar no prédio. Olhei. E fui passivamente classe média. Encarei o refúgio na caverna.

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Quase melhor que o título, foi o simples banho que o Grêmio deu em campo. A ponto de desperdiçar jogadas e um pênalti. Olha o luxo, do gaúcho!

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O inverno vai ficar?

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Esse final de semana serei filha. Mami fará uma visita. : )